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16.3.09

recital homenagem ao poeta cacaso :: na scriptum

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Descartes

Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho
**
(cacaso)

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:: idealizadores ::

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quem acompanha meu blog sabe da paixão que eu cultivo pela poesia de cacaso. sua linguagem singela, seu olhar infantil, sua ironia agri-dulce na verdade desvelam uma complexidade poética que ultrapassa a temática social, política, estética, ética e humana da coisa. é só vivenciando cada poeminha que podemos sentir a profundidade de sua poesia. esta, aos poucos, acaba crescendo dentro da gente e se tornando nossa poesia, como se fizesse parte de nossas próprias vivências e lembramos de uma aqui e outra ali a partir das coisas que acontecem conosco. boa oportunidade teremos para experenciar mais um pouquinho da poesia de cacaso. e não é por acaso que a nós está sendo dada de presente num evento em homenagem a ele, cacaso, no próximo sábado, dia 21, na livraria Scriptum:

dia 21 de março de 2009 * sábado * a partir das 12 horas
scriptum * rua fernandes tourinho, 99 * savassi * bhz

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já disse, compareçam, vale a pena!

"por cacaso ando cheia de lero-lero".

31.12.08

por cacaso :: ando cheia de lero-lero




"que a poesia é a descoberta
das coisas que eu nunca vi"
(oswald de andrade)

panacéia

mesmo triste comprove
a alegria é a prova dos 9

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manhã profunda

um passarinho cantou tão triste
tão sozinho
um outro respondeu espere já vou
aí já vou aí já vou aí

***

didática

a solidão de meu pai foi qualquer coisa
um pouco depois da vida um pouco antes da
morte. como o câncer, por exemplo.

***

infância (1)

submarino é um avião que nada
e tem olho de peixe

***

infância (2)

eu matei minha saudade mas depois
veio outra

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fotonovela

quando você quis eu não quis
qdo eu quis você ñ quis
pensando mal quase q fui
feliz

***

boêmia

acho que hoje já é
amanhã

***

façanha

tomou muita cachaça
ficou lúcido
quis se matar

***

carteira profissional

não sou amado no amor: sou
amador

***

jura

minha boca sopra no vento: eu te
amo eu te amo

uma navalha corta em dois meu coração

***

inacabado

adio
vou estudando
adio
vou viajando

vidinha adiada a minha

***

idade madura

meu coração anda inquieto e sufocado como
na infância
nas noites de tempestade. é risonho meu futuro?
minha solidão é indescritível.

***

passou um versinho voando? ou foi uma gaivota?

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para quem por cacaso não conheça!

antônio carlos de brito é conhecido por nós como cacaso. pisciano irreverente (14/03/44) nascido em uberaba-mg e vivido, entre outros lugares, no rio de janeiro. é poeta, compositor, caricaturista e foi professor da puc-rj entre outras profissões de amador que tivera. foi atuante e defensor teórico da geração mimeógrafo que marcou a poesia marginal brasileira dos anos 60 & 70.

suas obras poéticas? pois não! (que se quer pois sim!)
  • a palavra cerzida (1967); considerado como representante da primeira geração pós-vanguarda.
  • grupo escolar (1974); um dos livros da coleção frenesi composta por obras de outros poetas como: chico alvim, roberto schwarz, geraldo carneiro e joão carlos pádua.
  • segunda classe e beijo na boca (as duas de 1975); obras que vieram a lume na coleção vida de artista a partir de parcerias com Eudoro Augusto, Carlos Saldanha e Chacal.
  • na corda bamba (1978)
  • mar de mineiro (1982)
  • beijo na boca e outros poemas (1985); primeira antologia poética do autor.
  • lero-lero (2002); poesias completas editadas e inéditas.
em 1987 sua poesia maior veio através de sua morte. esse mistério poético ele guardou só para si, não voltou para recitá-lo. nos jornais foram impressas as seguintes palavras sobre o evento magistral de sua passagem pela materialidade :: carne, osso e vinho do coração :: " poesia rápida como a vida".


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bibliografia lida intensamente:
lero-lero [1967 - 1985], cacaso. são paulo: casac & naify, 2002. 

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minha última leitura de 2008.
que venha a poesia de 2009.
degustarei todas que a mim me apetecerem.

feliz virada para todos nós.

por cacaso,
evoé!

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e ainda por cacaso end finish antes do fim:

indefinição

pois assim é a poesia:
esta chama tão distante mas tão perto de
estar fria