3.8.12

..............todo mistério da vida está
numa nuvem que chove
numa bolha de sabão que explode.

16.7.12

:

... e esse sonho que dissipa o olho de fora quando se olha com o olho de dentro que olhando para fora se olha tanta coisa que o olho de fora já não consegue olhar o que tem fora sem ser com o olho de dentro e volta o olhar para dentro quando o olho de fora olha tentando encontrar o olhar do olho de dentro ... e se assim se olham, o olho de fora nuvem nada dentro no olho de dentro... mas o olho de dentro olha: olha olho olha sonho olha pedra olha nuvem olha pensamento...

15.7.12

.

"Gritamos que queremos moldar um futuro melhor, mas não é verdade. O futuro nada mais é do que um vazio indiferente que não interessa a ninguém, mas o passado é cheio de vida e seu rosto irrita, fere, a ponto de querermos destruí-lo ou pintá-lo de novo. Só queremos ser mestres do futuro para podermos mudar o passado. Lutamos para ter acesso aos laboratórios onde se pode retocar as fotos e reescrever as biografias e a História".

KUNDERA, Milan. O Livro do Riso e do Esquecimento. Companhia das Letras: 2008. S.P. p. 30.

6.7.12

Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro

30.6.12

...

... sinto..., logo rexisto...

27.6.12

*

só sei dizer duas coisas sobre mim:
sempre sou eu mesma e
jamais serei a mesma pessoa.

22.6.12

decreto 171


§ segundos & além dos terceiros:

está deliberadamente proibido rimar amor com dor.
...
revogadas as disposições contrárias de qualquer licença poética que se preste.

3.6.12

:

... a fala foi a falta do sim
quando o nunca sempre (h)ouve!

28.5.12

Amar



Amar

de Carlos Drummond de Andrade


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?
.
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
.
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

3.5.12


:: tras la fatalidad
una sonrisa despeinada
y listo revolución ::