é com alinhamento que a gente borda
e desborda
uma história cheia de exclamações!!!
25.5.14
18.4.14
de quanta eternidade se faz um instante?
de quanta o quê?
eternidade.
por quanto instante?
de bem pouca.
pouca o quê?
eternidade.
ora,
depende do instante!
esse não.
esse também não.
mas de repente, eis que aquele...
de um: dentre tantos.
ora,
depende de quanta eternidade!
de toda ela.
de menos dessa.
essa sim,
essa também sim.
e de repente, eis que aquela...
enquanto o instante é pleno.
enquanto o instante é sentido.
instante sem sentido de tanto eterno.
enquanto a eternidade dure.
enquanto a eternidade perdure.
enquanto a eternidade perfure
o presente...
instante se faz de necessário.
de um necessário eterno enquanto instante.
enquanto dose.
enquanto peso.
enquanto medida.
enquanto leveza.
enquanto desatina.
quanta eternidade há em um instante!
enquanto beijo molhado.
enquanto piscadela.
enquanto abraço apertado.
enquanto goteira.
um instante se faz de tantas eternidades
enquanto tudo cabe em um por enquanto.
3.3.14
um prosac com cachaça, moça?
**
"— por favor!
antes, um copo d'água para engolir umas pastilhas de clichê"
sentada na mesa do bar
dá de ombros pra ficar mais fácil escalar
os destroços de um predestino sem definição
repassa a lição de um sábio budista:
(são nos descaminhos que as frutas mais saborosas são comidas)
foi depois dessa descoberta que passou a-se-meter-
em-beco-sem-saída
e a entender tudo a partir do ponto-de-vista-da-fotografia
mistura na bebida um pouco de luxúria e preguiça pra esquecer
o incômodo do sapato furado colado com chiclete
e aquele calo nas cordas vocais
— há contra-gotas de alma na calma do vinho —
(receita médica guardada na bolsa)
um tempo fugaz a atropela a cem anos de solidão por hora
marcados no velocímetro
a ampulheta no meio da ladeira não pára pra prestar socorro
e no fim do amor alguém lhe pergunta:
o que é eterno?
ela atropelada por um lado se vira sem resposta
e segue a derramagem do tempo
espera a última gota d'areia cair na menina dos olhos
põe as cartas na mesa
e se choca com a manchete do dia:
"suicídio no jornal ninguém mais lê – esquece"
e ao encontrar-se na cartomancie o seu fastio, alguém grita:
"— mais uma bica de cachaça, garçom!
que essa moça tá precisando de mais precipício na veia
e espanto na hora da queda"
[ instante descongela]
Ufa! de chapada não cai,
...
e dorme na mesa do bar o sono dos inocentes
**
antes, um copo d'água para engolir umas pastilhas de clichê"
...
dá de ombros pra ficar mais fácil escalar
os destroços de um predestino sem definição
repassa a lição de um sábio budista:
(são nos descaminhos que as frutas mais saborosas são comidas)
foi depois dessa descoberta que passou a-se-meter-
em-beco-sem-saída
e a entender tudo a partir do ponto-de-vista-da-fotografia
mistura na bebida um pouco de luxúria e preguiça pra esquecer
o incômodo do sapato furado colado com chiclete
e aquele calo nas cordas vocais
— há contra-gotas de alma na calma do vinho —
(receita médica guardada na bolsa)
um tempo fugaz a atropela a cem anos de solidão por hora
marcados no velocímetro
a ampulheta no meio da ladeira não pára pra prestar socorro
e no fim do amor alguém lhe pergunta:
o que é eterno?
ela atropelada por um lado se vira sem resposta
e segue a derramagem do tempo
espera a última gota d'areia cair na menina dos olhos
e se choca com a manchete do dia:
"suicídio no jornal ninguém mais lê – esquece"
...
e ao encontrar-se na cartomancie o seu fastio, alguém grita:
"— mais uma bica de cachaça, garçom!
que essa moça tá precisando de mais precipício na veia
e espanto na hora da queda"
...
[instante congela]
uma paradinha por fim ao apreciar
a última gota d'areia em suspensão
uma paradinha por fim ao apreciar
a última gota d'areia em suspensão
!
[ instante descongela]
Ufa! de chapada não cai,
...
e dorme na mesa do bar o sono dos inocentes
**
10.2.14
8.1.14
:
escrevo porque eu preciso escrever.
se escrever fosse para outro fim,
minha mão repousaria em um absoluto ato de subversão
e se calaria, morosa, preguiçosa, fazendo fita,
como quem não sabe balbuciar estas mal traçadas linhas.
se escrever fosse para outro fim,
minha mão repousaria em um absoluto ato de subversão
e se calaria, morosa, preguiçosa, fazendo fita,
como quem não sabe balbuciar estas mal traçadas linhas.
7.1.14
amar, crime perfeito
*
é engraçado sentir que amar
é cometer um crime perfeito.
então eu sussurro baixinho:
------ Eu te amo!
para que não te assustes
para que não te desfaleças.
e mal me ouves e me ralhas
e me julgas e medrosa gaguejas:
------ Silêncio! porque amar
é cometer um crime perfeito.
e ficas, assim, de faces rosadas
e mãos recolhidas ao peito.
como sou, pois, ré confessa
calo-me em um beijo de perjuro
prendo-me em teu abraço carcereiro
e que de teu coração eu nunca mais saia!
ah! amar é cometer um crime perfeito.
e a tarde em estrelas se desaba
anunciando a noite do juízo final.
é engraçado sentir que amar
é cometer um crime perfeito.
então eu sussurro baixinho:
------ Eu te amo!
para que não te assustes
para que não te desfaleças.
e mal me ouves e me ralhas
e me julgas e medrosa gaguejas:
------ Silêncio! porque amar
é cometer um crime perfeito.
e ficas, assim, de faces rosadas
e mãos recolhidas ao peito.
como sou, pois, ré confessa
calo-me em um beijo de perjuro
prendo-me em teu abraço carcereiro
e que de teu coração eu nunca mais saia!
ah! amar é cometer um crime perfeito.
e a tarde em estrelas se desaba
anunciando a noite do juízo final.
26.12.13
Hèlené Cixous
Solte-se! Solte tudo! Perca tudo! Tome ar. Faça-se mar adentro. Faça-se da letra. Escute: nada foi achado. Nada se perdeu. Tudo está para ser encontrado. Ande, voe, nade, salte, corra, cruze, ame o desconhecido, ame o incerto, ame o que ainda não foi visto, ame a ninguém, o que você é, o que será, deixe-se, liberte-se das velhas mentiras, atreva-se ao que nunca se atreveu antes, aí é onde você gozará, faça sempre seu aqui de um ali, e alegre-se, alegre-se do terror, siga-o por onde você tenha medo de ir, atire-se, é por ai! Escute: você não deve nada ao passado, não deve nada à lei. Ganhe sua liberdade: devolva tudo, vomite tudo, doe tudo. Doe absolutamente tudo, ouça-me, tudo, doe seus bens, certo? Não guarde nada para você, aquilo que lhe importa, doe, entendeu? Encontre-se, encontre o eu, revolto, numeroso, o que você será está sempre mais adiante, e fora de um sim, saia, saia do velho corpo, liberte-se da Lei. Deixe-a cair com todo seu peso, e você, corra, não olhe para trás: não vale a pena, atrás de você não há nada, tudo está por vir.
(Hèlené Cixous- A chegada da escritura)
tradução livre: patrícia mc quade
(Hèlené Cixous- A chegada da escritura)
tradução livre: patrícia mc quade
26.11.13
16.11.13
e essa minha boca que guarda a sua boca no gosto desde o primeiro beijo
e esse meu olho espelho do seu rosto que mesmo bem fechado é só você que vejo
e esse meu ouvido que ouve o seu silêncio e acima de tudo ouve também o seu cheiro
e esse seu cheiro que recorda na ponta da língua o seu agridulce de lamber os beiços
e esse seu toque que toca nas cordas do coração a música de todo esse desejo
e esse meu olho espelho do seu rosto que mesmo bem fechado é só você que vejo
e esse meu ouvido que ouve o seu silêncio e acima de tudo ouve também o seu cheiro
e esse seu cheiro que recorda na ponta da língua o seu agridulce de lamber os beiços
e esse seu toque que toca nas cordas do coração a música de todo esse desejo
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