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14.1.13

Release espetáculo a VERTIGEM

“De olhos nos olhos da tristeza aprecio em dar um sorriso,
para que sua face não me pareça tão horrenda!”
Fédon

Em a VERTIGEM, A Patela Cia de teatro&dança apresenta a história de Fédon, filósofo grego e discípulo de Sócrates. É o próprio Fédon quem ressurge da Antiguidade para contar sua história. Seus interlocutores, nós, sujeitos da pós-modernidade, acompanhamos solidários o seu testemunho de dor e de amor, nos tornamos seus cúmplices e mergulhamos de forma sensorial em sua memória difusa, que busca compreender a sua própria história, o significado de sua existência. Como se estivesse dando um testemunho de guerra, de destruição, ele renasce da condição de escravo sexual como a Ave Fênix renasce das cinzas, e se reconhece novamente homem, se reconstrói na condição de amante e discípulo amado de Sócrates para tornar-se, enfim, filósofo e dono de seu destino, mensageiro do amor.

Na verdade, Fédon tampouco possui registros históricos que comprovem a sua existência. Para uns, ele é apenas um personagem ficcional dos diálogos de Platão, o preferido de Sócrates, famoso por sua eloquência e por sua beleza. Para outros, um “socrático menor”, sem grandes contribuições filosóficas.
É justamente a partir do imaginário da escritora Marguerite Yourcenar que a Cia Patela recria mais uma vez a história de Fédon, longe do sofismo de Platão e distante da visão classificatória das ciências filosóficas.

O texto dramatúrgico, transcriado por mim, nasce da partitura corporal criada pelo bailarino/ator Robson Nunes. Esta, por sua vez, foi inspirada no conto “Fédon, ou a Vertigem” do livro Fogos de Marguerite Yourcenar. Surge, portanto, o espetáculo a VERTIGEM que mantém a essência narrativa do conto e apresenta para a platéia um Fédon real, humano, dançante, sobrevivente da guerra entre Atenas e Élis, sua terra natal, um homem que encontra no amor a porta para a sua libertação.

Para potencializar e estreitar os limites entre as linguagens “palavra x gesto”, na transcriação “obra literária x partitura corporal e partitura corporal x texto dramatúrgico”, são utilizados recursos tanto do Teatro e da Dança Contemporânea como da palavra poética. A partir destas experimentações entre as linguagens do corpo, da música e da poesia as cenas do espetáculo são criadas. Neste contexto de trabalho coletivo e cooperativo, o ator/bailarino transforma seu corpo em linguagem plástica e seus gestos em música, amplia o espaço ficcional do palco em cenários intangíveis que apresentam a bucólica infância de Fédon, a destruição de sua terra natal pela guerra, sua viagem através do deserto até a cidade de Atenas e finalmente seu encontro com Sócrates, para ele sinônimo de amor, sabedoria e libertação.

Ficha Técnica:
Intérprete corporal: Robson Vieira;
Diretor: Claudio Márcio;
Texto original: Fédon ou a Vertigem, de Marguerite Yourcenar;
Texto dramatúrgico: Patrícia Mc Quade
Cenário e Figurinos: Juliana Palhares
Iluminação: Bruno e Thainá (sobrenomes)
Produção : A Patela Cia teatro&dança.

16.11.08

antes surreal do que jamais :: vladimir kush

“falando claro: o maravilhoso é sempre belo, qualquer maravilhoso é belo, só mesmo o maravilhoso é belo”.

(andré breton, Manifesto Surrealista, 1924)


"surrealismo, s.m. automatismo psíquico puro pelo qual se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral.

encicl. filos. o surrealimo repousa sobre a crença na realidade superior de certas formas de associações desprezadas antes dele, na onipotência do sonho, no desempenho desinteressado do pensamento. tende a demolir definitivamente todos os outros mecanismos psíquicos, e a se substituir a eles na resolução dos principais problemas da vida".

(andré breton, Manifesto Surrealista, 1924)

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surrealismo: (de acordo com houaiss)
substantivo masculino
Rubrica: história da arte.
movimento literário e artístico, lançado em 1924 pelo escritor francês André Breton (1896-1966), que se caracterizava pela expressão espontânea e automática do pensamento (ditada apenas pelo inconsciente) e, deliberadamente incoerente, proclamava a prevalência absoluta do sonho, do inconsciente, do instinto e do desejo e pregava a renovação de todos os valores, inclusive os morais, políticos, científicos e filosóficos.
Obs.: f. pref. e menos us.: supra-realismo

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na obra de vladimir kush o mito, a metáfora e a poesia dialogam em formas oníricas reais. seguindo seus precursores: savador dali, rené magritte, andré breton, guillaume apollinaire; kush se vale de técnicas surreais já trabalhadas por esses artistas. um exemplo seria a justaposição de objetos e formas que na “realidade” não se encontram relacionadas, causando efeitos novos que atuam diretamente na nossa percepção de como vemos o mundo, e compõe, assim, outras realidades, não as do sonho, ou as da vertigem, mas realidades que transcendem o sonho, a vertigem e o real ao mesmo tempo. kush constroi dessa forma diferentes pontos de vista frente a uma verdade que se crê (vi)ver. sua obra combina muito bem o mundo onírico ao mundo real. traz referências de um realismo tão profundo que excede os significados dos sonhos assim como os da própria realidade. as metáforas bailam sobre o mundo real que conhecemos, pois trazem elementos muito próximos da presentificação das coisas. é o que ele mesmo denomina de "Realismo Metafórico" ou "Realismo de Metamorfose".

sua arte segue os seguintes princípios:

cria um mundo mítico de verossimilhanças com o mundo real, como acontece, por exemplo, no realismo mágico da literatura e do cinema.

prefere o aspecto estético a motivos emocionais.

usa a ironia como uma de suas principais linguagens metafóricas e alcança, através dela, o encantamento real de sua estética.

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selecionei alguns quadros dele que mais me impressionaram e os combinei com fragmentos do manifesto surrealista, escrito por andré breton em 1924. ontem, sábado, passei a tarde me deliciando na leitura deste manifesto.

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"tão longe vai a crença na vida, no que a vida tem de mais precário, a vida real entenda-se, que, por fim, esta crença se perde".

"cara imaginação, o que eu amo, sobretudo em você, é que você não perdoa".

"a única palavra de liberdade é tudo o que me exalta ainda. eu a creio apropriada a entreter, indefinidamente, o velho fanatismo humano. (...) onde começa ela [a imaginação] a se tornar má e onde pára a segurança espiritual? para o espírito, a possibilidade de errar não será antes a contingência do bem?"

"não será o temor da loucura que nos forçará a hastear a bandeira da imaginação a meio pau".

"(...) a atitude realista, inspirada no positivismo, de santo tomás a anatole france, tem um ar hostil e todo arrojo intelectual e moral. tenho horror a ela, pois é feita de mediocridade, de ódio e suficiência sem atrativo".

"o espírito do homem que sonha se satisfaz plenamente com o que lhe acontece. a angustiante questão da possibilidade não se lhe apresenta mais. mate, roube mais depressa, ame tanto quanto quiser. e se você morrer, não tem você a certeza de despertar dentre os mortos? deixe-se levar, os acontecimentos não toleram que você os retarde. você não tem nome. a facilidade de tudo é inestimável".

“nestes quadros que nos fazem sorrir, no entanto sempre se pinta a inquietação humana, e é por isso que os levo a sério, que os julgo inseparáveis de algumas produções geniais, as quais, mais que as outras, estão dolorosamente impregnadas dessa inquietação”.

se quiser o manifesto surrealista na íntegra, acesse aqui.

boa leitura!

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vladimir kush nasceu em moscou no ano de 1965. a partir de 1990 começa a definir melhor a sua estética artística com muito brilhantismo e criatividade ao reinventar o surrealismo.


5.9.10

A Vertigem :: grupo Patela Cia teatro&dança

*

Se trata de um solo de dança combinado com fortes elementos cênicos.

A Vertigem conta de forma poética, dançante e intensa a história de Fédon, discípulo de Sócrates,
a partir de uma perspectiva outra daquela já conhecida: não só como um personagem dos diálogos de Platão contando os últimos instante de Sócrates antes de ser executado,
mas como um homem trágico contando sua própria história dolorida e amorosamente bela.

A trajetória de vida de Fédon é surpreendente, contudo há poucas referências,
e quase nenhum indício, de sua existência na história da filosofia.
Talvez o que tenha chegado até nós não passe de ficção e
Fédon não seja mais que um personagem criado por Platão.
Mas isso não tira a beleza de sua história, pelo contrário:

nos abre a possibilidade de criação!

Como me disse um recente amigo estudante de filosofia, Adilson,
o que importa não é saber se Sócrates ou Fédon tenham existido,
o importante é o legado de seus pensamentos filosóficos
que repercute e provoca jovens e adultos até os dias de hoje.

Nossa proposta teve como ponto de partida um conto de Marguerite Yourcenar, "Fédon" do livro Fogos, que Robson Vieira - intérprete, idealizador e criador - leu, se apaixonou e percebeu nele um intenso diálogo com a dança, música, poesia, teatro.

Esse desejo de conceber 'Fédon' agregou outros colaboradores:

Claudio Márcio - diretor;
Juliana Palhares - cenógrafa;
eu Patrícia Mc Quade - na dramaturgia

Todos vivenciamos um processo coletivo onde a partitura corporal, criada por Robson Vieira, delineou a forma e o conteúdo da obra que foi enriquecida por uma incrível interseção de contribuições e trocas de ideias até chegar no espetáculo d'A Vertigem.


Estrearemos no Espaço Ambiente nos dias 24 , 25 e 26 ...de setembro.
Os ingressos a preços populares: Sexta R$ 2,00 e Sábado e domingo R$ 5,00.

Esperamos vocês lá para nos dar a força da presença amiga
e a energia necessária que precisamos para confiar que fazer arte ainda vale a pena;
apesar de todas a dificuldades financeiras nessa busca frenética pela sobrevivência.

evoé!

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19.9.10

A Vertigem :: grupo Patela Cia teatro&dança

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O espetáculo traz em cena Fédon, príncipe insigne, escravo, bailarino de prostíbulos da Grécia antiga, discípulo de Sócrates. Sua trajetória é marcada pela dor e pelo amor, elementos básicos de sua filosofia.
O trabalho mistura teatro & dança na encenção, pesquisa que vem sendo realizada desde 2008 pelo fundador do grupo, Robson Vieira.

nos dias 24, 25 e 26 de setembro, em Belo Horizonte, acontecerá a estréia de um trabalho ainda em processo de criação, ou seja, essa primeira apresentação faz parte do laboratório cênico que continua em experivivências depois da estreia.

talvez esse seja seu maior encantamento para nós do grupo: apresentar uma obra onde a indeterminação e o acaso são causa e consequência de uma busca racional capaz de conhecer o estado presente d'a Vertigem, prever seu futuro e reconstituir o passado dessa mesma busca.

intérprete corporal: Robson Vieira;
diretor: Claudio Márcio;
Texto: Patrícia MC Quade (co-autores: Robson Vieira e Claudio Márcio)
Cenário e Figurinos: Juliana Palhares
fotografia: Luciene Oliveira
Produção : A Patela Cia teatro&dança.

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onde?
no Espaço Ambiente! rua Grão Pará, 185 - Santa Efigênia

sexta às 20h (com bate papo depois do espetáculo); sábado às 20h e domingo às 19h.
ingressos a preços mais que populares!

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