5.12.08

despida de pele :: de ana dundes



vestia
um vestido
de culpa

vestido
estreito
[injusto]

tecido
de pele
de gente

atado
o corpo
sofria

calada
a boca
nem ria

no olho
um vale
se via

naquela
não se cabia

nem mais
se seria

mas num dia
com goles
de pura
ousadia

rasgou o vestido
no dente

despida
da veste
estranha

verteu
[de dentro]
as entranhas

***

sou leitora assídua dessa poeta. gosto do jeito como ela subverte o sentido literal das palabras. gosto do seu humor negro no que diz respeito ao amor, à dor, aos sentimentos humanos dos mais corriqueiros, dos mais essenciais e, às vezes, até dos assuntos que julgamos nada poéticos. tudo vira poesia na palavra dela :: poema em forma de brevidade :: de força imagética :: de etcetares de língua, de boca, de sabores!
é a síntese de uma dor viva que nem sempre dói, que é aguda, penetrante, cáustica e também lasciva, voluptuosa, sensual.

tantos adjetivos para se dizer o que não se consegue de fato explicar.

enfim,
indico aos leitores esse blog. tem muita itensidade sensorial e pungente lá.
visitem e confiram!

ana dundes em:


2 comentários:

@na dundes disse...

Hei, moça, assim eu choro...
vim aqui te ler e que surpresa!

Beijo e obrigada pela delicadeza-lembrança-emoção da indicação.

vagner muniz disse...

Oi, Patrícia!

Assino embaixo seus comentários sobre a Ana Dundes. Sou fã dela!
Um abraço.

Vagner